Cotas Raciais ou Racistas?

O país está em pleno debate sobre a instituição de cotas em universidades para negros, índios e pardos. Os defensores da medida afirmam que é a única forma de inclusão da “minoria” no sistema educacional superior e baseiam-se na idéia de igualdade proporcional. Já os que são contra baseiam-se no princípio constitucional da igualdade.

A igualdade proporcional é defendida por Fábio Konder Comparato, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Ele diz: “Não dá para tratar igualmente os desiguais”. Frei Davi dos Santos, coordenador da Educafro faz o seguinte comentário: “Somos favoráveis à cota para pobre, para negro, para indígena e entendemos que o Brasil, para ser o Brasil ideal, igual para todos, precisa criar políticas públicas. Durante 500 anos não foi feito nada para resolver a grande diferença entre pobres, negro e ricos não negros. Agora as cotas são uma proposta provocando se o Brasil, deputados, intelectuais tiverem propostas eficientes para resolver o drama do negro sem cotas, que me apresentem algo melhorOu seja, Frei Davi é mais um negro descrente que os governos possam apresentar uma solução de inclusão que não seja utópica.

Não o culpo, mas minha opinião vai ao encontro do pensamento de um outro negro militante, José Carlos Miranda – coordenador do Movimento Negro Socialista. Em sua carta aberta Miranda deixa muito claro seu pensamento e explica o que poderia parecer contraditório: um movimento negro contra o benefício das cotas. Mas ele é um dos brasileiros que parece não aceitar esmola e mediadas paliativas, pretendendo sim brigar por um sistema educacional decente.

Não é utopia, esse país PODE desenvolver um sistema educacional de primeira linha, bastando para isso VONTADE. Sou terminantemente contra tentar acabar com desigualdades semeando mais desigualdades. Isso sim é contraditório.

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8 Respostas para “Cotas Raciais ou Racistas?”

  1. Lino Resende Disse:

    Você tem inteira razão. A questão não é o estabelecimento de quotas, mas o oferecimento de oportunidades a todos, sem distinção de raça, sexo, religião, ideologia, etc.
    O que todos nós precisamos é de oportunidade. E de nada adianta abrir as universidades se não há base educacional. Sei disso por conviver com alunos – a maioria brancos – que não têm nenhuma base para o aprendizado universitário.

  2. Adalberto Leme Junior Disse:

    Não me parece razoável que se pretenda consertar toda injustiça social de 506 anos de história brasileira pelas portas de saída, a universidade. A baixa qualidade do ensino fundamental e médio público que é a questão premente que, no entanto, vem sendo abandonada, para que pelo menos seja comparável ao das escolas particulares. Com isso tenhamos alunos melhores preparados intelectualmente, critério indispenssável para o futuro universitário.

  3. ALCIR MORENO Disse:

    Estabelecer o sistema de quotas no país, não fere o princípio da igualdade. Os governos ao cobrarem menos impostos dos que recebem menos, ou através de políticas públicas aos menos favorecidos, tratam com desigualdade os desiguais. O fato é que o brasileiro, “povo cordial”, não quer assumir que também é racista.
    Outra panacéia é afirmar que o sistema de quotas inviabiliza a melhoria do ensino, o investimento no ensino pode ocorrer simultaneamente até que os negros não precisem mais das quotas, o que não se pode é esperar mais 200 anos.
    Agora me espanta o posicionamento do Sr. José Carlos de Miranda que apesar de negro luta contra o sistema de quotas.
    No império, havia os chamados capitães do mato: a quem esses senhores serviam?

  4. O Imperador Disse:

    Temos que lutar para conseguir a infra-estrutura necessária para que não mais nos contentemos e tão pouco percamos tempo com debates em cima de medidas que são paliativas. Temos que lutar por uma boa educação, sem distinção, nas bases da formação. Desta forma nenhuma minoria ou maioria necessitará de cotas ou coisas do tipo.

  5. Maristela Disse:

    O uso adequado da língua é muito importante quando manifestamos nossas opiniões sobre algo. Por quê? Porque se não a usamos adequadamente, uma simples preposição se vira contra nós.
    Exemplo: “Não o culpo (aqui deveria ter uma vérgula) mas minha opinião vai DE encontro com a de um outro negro militante…”
    Prezado, se sua opinião vai de encontro, significa que você DISCORDA dele e não concorda com ele. Assim, você acaba por concordar com nosso ilustre Frei Davi que muito tem feito em benefício do povo negro, usando a Língua Portuguesa a favor do povo negro e também da população branca porque faz com que nós nos percebamos preconceituosos, inclusive no uso de nossa língua quando não a conhecemos adequadamente. Abraços e boa aula de língua portuguesa.

  6. O Imperador Disse:

    Maristela,

    Obrigado pela correção e pela aula. Você tem razão, engraçado é que eu sempre fico de olho nessas expressões e me traí justo com o emprego inadequado de uma delas. Lastimável. Contudo, minha opinião sobre o tema permanece.

    Já fiz o ajuste no texto. Continue debatendo suas ideias, pois apesar de eu não me importar, elas podem ser do interesse dos demais leitores.

  7. alcir moreno Disse:

    Estou esperando a melhoria do ensino desde que nasci há 33 anos . Se viver até os 90 tenho certeza que ainda não teremos um ensino de qualidade para os pobres. Cotas já! Até que se melhore o ensino. Pois, caso contrário, continuaremos a viver nesse regime de castas disfarçado.

  8. Rainor Disse:

    O artigo 5º da Constituição, cláusula petrea (não pode ser alterado), diz que ninguém será discriminado por motivo de raça, credo ou sexo. Cotas “raciais” (como se isso existisse) batem de frente com a lei, são racistas e ilegais. Estão criando um novo “aparthaid” e instilando racismo onde não havia. Quem defende cotas “raciais” é, antes de tudo, um nazista.

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