Gostaria imensamente de ler a opinião de Reinaldo Azevedo sobre a carta de demissão do Diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, publicada neste link do jornal o Globo: http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/09/21/297835322.asp Sauer foi substituido hoje por Maria das Graças Silva Foster, que até então estava à frente da BR. No seu lugar entra o já conhecido Dutra.
Eu trabalhei durante um ano e meio em um ativo de geração de energia montado por uma empresa americana na cidade de Macaé, interior do Rio de Janeiro. Os americanos investiram quase 800 milhões de dolares numa usina de 922MW de potência movida a gás natural. O projeto fazia parte do plano emergencial de criação de oferta de energia após o colapso de 2001 durante o governo FHC.
Contratos foram firmados entre os investidores, que construíram todo o ativo, e a Petrobras, a quem cabia o fornecimento de gás e a garantia de um retorno mínimo em caso de variação no preço da energia.
Com o racionamento e a racionalização do consumo de energia no Brasil após a crise o preço da energia caiu drasticamente, obrigado a Petrobras pelo contrato a pagar uma diferença mensal e garantir o retorno mínimo aos investidores.
É importante destacar que na região de Macaé é produzido 80% do petróleo brasileiro e que este petróleo encontra-se associado ao gás. Quer dizer, quando se tira o petróleo o gás natural vem junto. Os órgãos ambientais limitam a queima do gás associado nos flares (chaminés de fogo que queimam o gás para o petróleo poder ser retirado). Portanto os limites ambientais de queima limitavam correspondentemente a produção de petróleo. Neste caso, a construção de uma usina que queimava (gerando energia) 5.5 bilhões de metros cúbicos por dia significava a possibilidade do aumento da produção de petróleo e gerando assim uma fortuna à Petrobras.
Ildo Sauer ao assumir o cargo decretou que o contrato entre a Petrobras e os americanos (e outros investidores em outros ativos com contratos semelhantes) era nocivo à Petrobras e a fazia sangrar. Ele sempre dava esse tom dramático sobre este assunto em seus discursos como diretor. Uma guerra judicial iniciou-se onde a Petrobras gastou mais uma pequena fortuna. Por fim Sauer decidiu comprar o ativo (assim como fez com outros).
O ponto é que eu estava lá e vi que a Petrobras não tinha a menor noção do que era uma usina termoelétrica. Foram escalados gerentes setoriais sem o menor cacoete para o setor. Na verdade fiquei sabendo que as térmicas adquiridas viraram cabides de empregos com cargos cheios de benefícios que foram rateados entre “companheiros” ligados ao PT. Ouvi de gerentes setoriais na minha unidade lamentações sobre o que o PT queria fazer ali dando clara noção sobre a ingerência política na gestão dos ativos.
Não se passavam 4 meses sem que houvesse dança das cadeiras. Era um festival de petistas prestes a se aposentar querendo incorporar benefícios de última hora por conta dos cargos. Enquanto isso os funcionários que foram absorvidos com a aquisição ficaram o tempo todo em banho-maria, numa expectativa solitária de incorporação pela estatal. Foram (fomos) tratados como objetos de segunda importância, sem direito a treinamentos, ou benefícios semelhantes aos que eram dados aos “homens de crachá verde”.
O que pensava o ideólogo militante petista Ildo Sauer a respeito da situação destes empregados? Parece que nada. Nunca nos dirigiu uma palavra que fosse. Seu interesse era montar uma plataforma política para o futuro com o papo de ter quebrado os contratos leoninos com a iniciativa privada. Em breve devemos vê-lo candidato a alguma coisa…
Em sua carta de despedida Sauer mete o pau na reforma do setor iniciada por Collor e depois desenvolvida por FHC. Ele aparece no cenário como um anjo que impede a estatal Brasileira e ser explorada por gananciosos empresários estrangeiros.
Acho que vale pesquisar o desempenho de Ildo Sauer frente a direção de Gás e Energia da Petrobras e lançar luz ao que este governo prepara para este setor estratégico.
Opinião de Reinaldo Azevedo (link direto):
Vamos privatizar a Petrobras! Antes que seja tarde!
Por que o PT gosta tanto de estatais? É fácil descobrir. Saibam que a luta para aprovar a CPMF chegou à Petrobras. O objetivo é acomodar na gigante com orçamento de R$ 52 bilhões pressões do PT, do PMDB e do PP. Por que partidos querem tanto os cargos em empresas? Apenas para que um diretor, filiado a legenda, ganhe um capilé a mais? Não, é claro. O posto implica poder, verba e, portanto, influência. E isso nada tem a ver com petróleo ou gás. As mudanças mais importantes ontem foram estas:
- O petista José Eduardo Dutra, ex-senador e ex-presidente da empresa, vai para a presidência da BR;
- Maria das Graças Foster, também na cota do PT e pessoa de confiança de Dilma Rousseff, vai para a diretoria de Gás e Energia, no lugar de Ildo Sauer;
- Ildo Sauer, militante petista, disse que volta a dar aulas — e escreveu uma patética carta de despedida, de que falo daqui a pouco;
- João Augusto Fernandes, ligado ao PMDB, pode assumir a área internacional da empresa. O cargo hoje está com Nestor Cerveró, ligado ao senador Delcídio Amaral (PT-MS);
- Segundo a Folha de hoje, “o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, ligado ao PP, pode ser substituído por pressão do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PTB), que quer a indicação do ex-gerente-executivo de Abastecimento Alan Kardec para o posto. Kardec, que entrou em atrito com Costa por causa da nomeação, foi acomodado numa assessoria direta do presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.”
Estatais deveriam obedecer a diretrizes de estado? É claro que sim. E, no entanto, como se vê, atendem a partidos. É assim que os petistas entendem o poder e é essa a linguagem que fala com seus sócios.
Carta
Sauer, o demitido, escreveu uma carta “Aos companheiros (sic) e amigos da Petrobras”. Trata-se de um documento impressionante. Logo de cara, afirma: “Fiquei na Diretoria de Gás e Energia da Petrobras quatro anos e oito meses. Mas acompanho essa área há quase duas décadas como militante do Partido dos Trabalhadores e em boa parte do tempo também como colaborador do Instituto Cidadania, que assessorou o presidente Lula em suas campanhas pela Presidência”. Como se vê, estava lá como militante, não como técnico.
Ele ataca, sem seguida, os governos Collor e FHC e acusa alguns, sei lá, conspiradores (???) de pressionar a Petrobras a agir contra o interesse das estatais. O mais curioso é que ele escreve o seguinte: “O governo [de Lula!!!] acabou cedendo às pressões. E estimo que os prejuízos para as estatais e para os pequenos e médios consumidores de energia elétrica do país decorrentes dessa decisão estejam na casa dos 10 bilhões de reais”. Quer dizer que Lula atuou contra os interesses nacionais? Um espeto de R$ 10 bilhões? É uma acusação grave. E feita por um petista.
Acho que ele dá um outro pito em Lula. Narra o seu empenho em favor dos biocombustíveis, mas alerta que não é para “fomentar a demagogia de que o mundo será salvo se ampliarmos os canaviais e as plantações de oleoginosas para produzir áLcool combustível e biodiesel, mas para unir os interesses dos sócios controladores da Petrobras, que somos nós, com os interesses dos trabalhadores e dos pequenos e médios produtores”. Huuummm. Só conheço uma pessoa com esse discurso: o seu chefe espiritual.
Mas é no trecho a seguir que aparece a sua vocação missionária. Leiam: “Vivi na Petrobras os quatro anos e oito meses desde minha nomeação. Minha filha, Luísa, tinha cerca (sic) de 13 anos quando praticamente deixei a casa onde vivia com minha mulher e com ela em São Paulo para cumprir minhas tarefas no Rio. Ao me preparar para voltar a morar em São Paulo e reassumir meu cargo de professor universitário, encontrei dos textos dela na Internet com reflexões sobre Queimada, o famoso filme do italiano Gillo Pontecorvo sobre uma ilha onde o sistema colonial com base na escravidão dos portugueses é trocado pelo sistema colonial com base no trabalho assalariado e no ‘livre mercado’, depois de manobras do império inglês. De repente, me dei conta de que posso não ter sido afastado da Petrobras por meus defeitos. Mas pelas virtudes das pessoas de cujas lutas participei e vou continuar participando”.
Xiii. O homem tem certa vocação para mártir. Já descobrimos que os cargos da Petrobras servem para acomodar a turma da base aliada. Agora, essa alusão ao filme Queimada e à substituição de um imperialismo por outro me deixou com a pulga atrás da orelha… A que estranhos interesses “imperiais” estaria cedendo a Petrobras? Parece que Sauer se acha o próprio José Dolores, o ingênuo que se faz líder revolucionário no filme de Pontecorvo . Quem será, então, William Walker, o agente do império?
Ai, ai. Minha exortação, claro, é patética, mas lá vai: vamos privatizar a Petrobras. Antes que seja tarde.
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